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Susan

Apenas um desabafo…

Tudo começou há 11 anos atrás, quando eu estava no segundo ano do ensino médio. Eu era uma menina inteligente, uma adolescente mais pé no chão e racional do que sou hoje como adulta. Era extremamente responsável e centrada… até o dia em que o vi. Era o primeiro dia de aulas e quando ele desceu do ônibus e eu o vi… algo mudou no meu cérebro. Eu não conseguia tirar os olhos dele, e isso se tornou rotina por todo o resto do ensino médio. Ele era como um ímã para mim, e eu o observava sempre que podia, nos momentos livres do colégio. Ele era meu incentivo para ir pra escola. Estudar? Nem pensar. Eu me mantive no segundo lugar de desempenho da escola por algum milagre, porque ele ocupava minha cabeça todos os momentos. Eu tentava ser discreta, afinal de contas nunca tinha namorado e não tinha a menor intenção de falar com ele, era muito tímida. Mas ele pareceu perceber que eu o observava porque começou a chegar perto de mim, aparecer nos lugares que eu estava. Ele chegou a sentar do meu lado em silêncio num lugar com centenas de cadeiras vazias ao nosso redor. Mas felizmente, meu cérebro não havia me abandonado completamente. Ele era o garoto mais bonito do colégio inteiro, e foi até eleito como o mais bonito num concurso do colégio. Eu? O estereótipo de menina nerd introvertida, com aparelho, óculos e tudo. Eu passei a prestar mais atenção e percebi como os amigos dele me olhavam, com malícia e deboche. Percebi que estavam todos rindo de mim. Aquela garota centrada e pés no chão voltou com tudo. Eu não direcionei meu olhar pra ele novamente. Ele começou ativamente a ir atrás de mim nos cantos, atrás de mim na fila do lanche, chegou até a me seguir quando fui sentar num canto sozinha, longe de todos, e sentou perto. Os amigos vieram logo atrás, claro, todos rindo. Eu meio que peguei “nojo” dele por isso. Ele me magoou tanto, que não posso descrever. Eu não gostava dele simplesmente porque era bonito, eu era próxima de um outro garoto lindo, colírio para os olhos de muitas, mas meus olhos eram pra ele. Quando chegou o último dia de aulas, fui embora sem olhar para trás, e achei que era o fim dos meus sentimentos também. Eu estava enganada. Eu seguia adiante com minha vida, investindo meu tempo em outras coisas, sonhando com o futuro… mas às noites o espaço era dele. Eu sonhava com Caio toda santa noite. Às vezes eram sonhos como a rotina da escola, eu o observando como fazia. Mas passei a ter outros sonhos também, com nós dois juntos, felizes. Dá pra imaginar como é durante o dia gostar de outra pessoa, tentar se relacionar com outra pessoa, enquanto todas as noites sonhava com um crush antigo do colégio? Ele era como um fantasma na minha vida, o encontrava na rua nos lugares mais aleatórios, e quase fui para a mesma universidade que ele (o que só descobri quando, felizmente, havia desistido da vaga). Ainda assim segui minha vida, ignorando os sonhos. Então, alguns anos depois, vi um desafio de redes sociais sobre adicionar um crush antigo e contar os sentimentos que tinha na época. Pensei: por que não? Eu não tinha mais mágoa dele, entendia que era apenas um adolescente aproveitando para tirar sarro da garota feia apaixonada. Eu nem queria falar com ele, apenas ver como estava mesmo, afinal de contas ainda sonhava com ele. Então eu enviei um pedido de seguir no Instagram privado dele e fui bloqueada em, literalmente, segundos. A conta dele sumiu bem diante dos meus olhos e quando uma amiga checou para mim, a conta dele ainda estava de pé. Aquilo foi como um tapa na minha cara, porque estava pronta para ter o pedido simplesmente negado. Mas bloquear? Não é como se eu fosse uma stalker. Ele era quem aparecia nos meus sonhos sem convite, atrapalhando minha vida amorosa de tantas formas que é difícil descrever. Enfim, um ano depois, eu o encontrei num lugar completamente inesperado. Fazia muito, muito tempo que eu não o via, e eu não esperava a reação que eu tive. Meu coração parecia que ia sair pela boca, sentia borboletas no estômago, tudo. Eu vi nos olhos dele que havia me reconhecido também, ele pareceu surpreso por um momento, antes de virar as costas e não voltar a olhar para trás. Lá estávamos nós, 10 anos depois, mais de 300km de distância de onde eu conheci, e mais uma vez eu estava sendo a boba com o coração acelerado e ele o bloco de gelo. Eu saí daquele dia com o ego ferido e com a determinação de não permitir que ele se infiltrasse na minha mente novamente. Eu estava enganada. Os sonhos se tornaram cruéis, pisoteando no meu coração cada vez que acordava. Relações destruídas, paz destruída, e ele voltou a aparecer na minha vida das formas mais absurdas e aleatórias. A mais nova? Surgiu uma sugestão de contas para seguir no Instagram e para minha surpresa, era a conta dele. Eu já não tinha mais a conta que ele havia bloqueado há muito tempo, e quando vi, a foto do perfil dele era dele no próprio casamento. Não sei como descrever o que senti. Na própria noite anterior eu havia sonhado com ele, e lá estava ele vivendo o melhor da vida, na mais plena paz de Deus. Para completar, temos o mesmo círculo profissional, o que quer dizer que vivo ouvindo o nome dele ser mencionado, e descobri que é possível que tenhamos que trabalhar juntos em breve. O que fazer numa situação dessas? É como um fantasma em minha vida, uma sombra que não se apaga por mais que eu tente. Enquanto isso, para ele não sou nada, apenas alguém que ele bloqueou e que não tem significado algum. Enfim, só queria desabafar mesmo.

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