Essa é a primeira vez que irei falar abertamente sobre meu passado, coisas que apenas eu sei, absolutamente mais ninguém sabe, eu nunca falei sobre isso antes, e como cristão, falar sobre esses problemas que eu enfrento pra algum conhecido, colocando minha cara a tapa é impossível para mim.
Diariamente, meu passado não me afeta, não diretamente, eu não penso muito sobre o que já aconteceu, exceto por um vício recorrente, que acredito ser uma das consequências do meu passado. Pornografia e masturbação.
Eu tenho 19 anos, cresci num lar cristão, batizei, e tenho o pleno discernimento do que é certo, e do que é errado, e isso me corroe por dentro, não conseguir resistir ao impulso de cometer um ato que não agrada a Deus, recentemente, eu fiz um “progresso”, conseguir ficar limpo por 1 semana, mas anteontem eu recaí. E eu esotu cansado de tentar e tentar.
Bom, começando do começo. Eu tinha uns 5~6 anos de idade, e tinha uma amiguinha um pouquinho mais velha, e ela tinha um irmão de uns 14~16 anos, As vezes eu passava o dia na casa dela, brincava com ela, e as vezes eles me deixavam sozinho com esse irmão mais velho, que tinha video game e me dava doces.
Tudo era legal, até esse marmanjo começar a me mostrar pornografia, e me forçar a ter relações. Eu era muito pequeno, e tenho poucas memórias, não me lembro de ter sofrido penetração, mas lembro de ser forçado a oral, ter minhas partes tocadas. E sempre escutava, “se você contar pra alguém, eu não deixo você voltar pra jogar video game”, “não conta pra ninguém”, “se você não contar eu te dou doces”. Sinceramente, eu não lembro por quanto tempo isso durou, mas foram anos, até que por algum motivo meus pais me “proibiram” de ir na casa dela, e então esse inferno acabou. Mas começou outro, assistir porno e se masturbar, isso com 7~8 anos de idade, e que infelizmente dura até hoje, claro, no começo era de vez em quando, eu me distraia com outras coisas, e então na puberdade, piorou, aumentou a frequência para 1x por semana, 3x semana, todos os dias, 4,5,6,7 vezes ou mais por dia.
Recentemente, eu aumentei meus esforços contra esse vício maldito, a frequência reduziu bastante, mas ainda tenho recaídas. Eu pensava, quando eu batizar, isso vai passar, mas não passou, e isso verdadeiramente me entristece, eu sinto que não sou cristão o suficiente, que não sou cristão de verdade, me pergunto por quê Deus não tira esse vício logo de uma vez por todas.
E para mim, Deus não é algo que eu tenho dificuldades para acreditar, ele já falou comigo, já me deu sinais, já me mostrou coisas sobrenaturais, então, sim, eu tenho certeza que ele existe, e isso piora ainda mais as coisas, porque eu penso, eu sei que ele existe, mas eu não consigo.
Sobre o meu agressor, eu acho que eu perdoei ele, e como cristão eu deveria, ele é meu vizinho e de vez em quando eu vejo ele, e quando eu olho pra cara dele eu não sinto raiva, ou vontade de matar ele. Eu apenas relembro do que ele fez querendo justiça, afinal, não é porque eu perdoei que ele não merece ser punido. Eu nunca denunciei, nem falei com meus pais, nem com amigos, somente eu e ele sabe o que aconteceu (eu acho). Sinceramente, eu acho que se eu denunciasse, ninguém me levaria a sério, e mesmo que fosse uma denúncia anônima, assim que essa acusação chegasse, a família saberia imediatamente que fui eu, afinal, naquela época, eu fui a única criança que passava tempo com esse monstro. E eu não estou disposto a revelar esse meu passado publicamente.
Hoje, esse cara tem duas sobrinhas pequenas, e de vez em quando eu penso que elas possam estar passando pelo mesmo, e eu peço a Deus que não estejam, nenhuma criança deve passar por isso.
Eu não fico procurando saber, mas aparentemente ele é autista (na minha opinião, não justifica, nem ameniza o que ele fez), ele é uma pessoa que não sai de casa, não socializa com pessoas, não consegue trabalhar direito, não namora (por que será?), toma remédios, é sustentado pelos pais, muito provavelmente tem depressão, resumindo, um peso morto para a sociedade. E na minha visão, essa é uma das punições sendo aplicada sobre ele e sobre a família, que naquela época era até de boa índole, mas desandou totalmente. O pai da família passa o dia batendo papo com os noias/maconheiros do bairro, o irmão mais velho fica arrumando briga com a vizinhança e sendo mal exemplo para os filhos, a irmã que era minha amiguinha não faz nada de relevante, a não ser existir e encher a cara, e cultivando más amizades. Resumindo, todos vivendo sem principios e numa vida que eu considero miserável.
Bom acredito que sei a raiz do meu vicio hoje, mas então, que conselhos vocês me daria para tentar me livrar totamente disso?
Um grupo de apoio emocional e saúde mental. Desabafos anônimos, troca de experiências e apoio psicológico.
Sinto muito que você tenha passado por algo tão doloroso e solitário. O peso que você carrega não é apenas o de um "hábito", mas o de um trauma profundo que foi imposto a você quando você não tinha defesa alguma. Antes de qualquer coisa: você não é uma fraude. Você é uma vítima de um crime grave que está tentando sobreviver às sequelas dele. O que você chama de "vício" é, na verdade, uma resposta neurológica a um trauma de infância. Aqui estão alguns conselhos, divididos entre a sua fé, a sua psicologia e a sua segurança: 1. Separe o Pecado do Trauma Você se sente culpado porque, como cristão, vê a pornografia como pecado. No entanto, a ciência e a psicologia explicam que o cérebro de uma criança exposta a abusos e pornografia aos 7 anos sofre uma "fiação" (rewiring) forçada. A raiz não é a falta de fé: Você não continua nisso porque não ama a Deus; você continua porque seu sistema nervoso aprendeu, ainda na infância, a usar isso como uma válvula de escape para a dor e o trauma que você nem conseguia processar. Deus entende a origem: Na Bíblia, Jesus demonstra uma compaixão profunda por aqueles que foram feridos. Ele não olha para você com condenação, mas com o desejo de curar a ferida que aquele homem abriu. 2. O Silêncio é o Alimento da Vergonha Você disse que é "impossível" falar com conhecidos. Eu entendo o medo do julgamento, mas o segredo é o que dá força ao vício. * Busque ajuda profissional: Você precisa de um psicólogo, preferencialmente um especialista em traumas de infância (Terapia Cognitivo-Comportamental ou EMDR). O psicólogo tem dever de sigilo profissional. Terapia não é falta de fé: Assim como um braço quebrado precisa de um médico, um trauma na infância precisa de um especialista. Deus muitas vezes opera a cura através de profissionais capacitados. 3. Sobre a Recaída e o Progresso Você ficou uma semana "limpo". Isso é um progresso real! O vício não é uma linha reta. Não se castigue: Quando você se rotula como "fraude" após uma recaída, sua ansiedade aumenta. A ansiedade é o gatilho para buscar o prazer rápido da pornografia. É um ciclo. Trate-se com misericórdia: Se um amigo lhe contasse essa mesma história, você o chamaria de fraude ou o abraçaria com compaixão? Aplique essa misericórdia a si mesmo. 4. O Dever de Proteção (As Sobrinhas) Este é o ponto mais delicado. Você mencionou o medo pelas sobrinhas dele. Denúncia Anônima / Conselho Tutelar: Você pode fazer uma denúncia anônima ao Conselho Tutelar ou pelo Disque 100 relatando que o indivíduo tem histórico de comportamento inadequado com menores. Você não precisa se identificar como a vítima do passado se não estiver pronto, mas pode alertar sobre o risco atual. Sua consciência: Se você sente que "justiça" está sendo feita pela vida miserável que ele leva, lembre-se que isso não protege as crianças que estão perto dele agora. Proteger o próximo é um dos maiores mandamentos cristãos. Próximos Passos Práticos: Procure um Psicólogo: Procure alguém que entenda de Trauma e Sexualidade. Se o valor for um problema, muitas faculdades de psicologia oferecem atendimento gratuito ou social. Não lute sozinho no escuro: Se não pode falar com sua igreja agora, procure grupos de apoio online anônimos para cristãos que lutam contra a pornografia (como o Celebrate Recovery ou similares). Mude o foco da "luta" para a "cura": Pare de focar apenas em "parar de ver porno" e comece a focar em "curar a criança ferida de 6 anos". Quando a dor diminuir, a necessidade do vício diminuirá também.