Ebano

O capitalismo e a injustiça consumiu todas as áreas da minha vida

Bom, não sou de expor meus sentimentos, não falo com ninguém sobre eles. Talvez um amigo aqui e outro ali de casos isolados, mas como estou prestes a fazer dessa forma? Jamais. Quando digo que o capitalismo e a injustiça consumiu a minha vida, não é sobre nenhuma lei de artigos ou algo semelhante, é a injustiça da vida. Bem, começando pelo início. Sou uma mulher na casa dos seus 20 e poucos anos, mas somente para conhecimento, estou mais perto dos 30 do que dos 20. Me formei em uma profissão cujo estudei por dois anos e o cômico? Descobri que odeio atuar com o que me formei, e a abandonei, sim, nem sequer cheguei a atuar. Covardia? Talvez, porém mais do que isso, falta de oportunidade. Estou mais perto dos 20, e nunca, nunca consegui um emprego fixo. Não sei qual a sensação de ter um salário, porque por mais que eu tente, corra atrás, busque vagas, simplesmente não consigo um emprego. Não sei se o problema está em mim, mas não consigo arrumar um emprego. E é aí que a injustiça se instala, porque aparentemente 98% das pessoas ao meu redor conseguem. Conseguem um emprego, uma vida melhor, oportunidades incríveis. Abro as redes sociais e todos estão vivendo, conquistando suas coisas, mudando as suas vidas e eu? Bem, eu estou parada aqui, nem evoluindo e nem tendo regresso apenas existindo. E a falta de emprego, destruiu todas as áreas da minha vida. São dias, meses, dentro de casa sem fazer nada, dependendo absolutamente dos meus pais para tudo financeiramente. São muito tempo sem ajudar esses mesmo pais que apesar de todos os seus defeitos, são pessoas que fizeram o seu melhor para me dar tudo que tenho, ainda que seja pouco. E eu não posso, simplesmente não consigo verbalizar isto a ninguém, porque jamais entenderiam o peso que é ser a única pessoa de uma casa que não contribui financeiramente. E quem dera se fosse “apenas isso”. Sou uma mulher que ama somente mulheres. Uma lésbica adulta, que não pode se assumir de forma alguma. Amei. Amei mais do que tudo nesse mundo outra mulher que por muito tempo foi meu universo. Como toda lésbica, era uma relação a distância, nós vínhamos pouco. Ela com uma condição financeira muito além, sustentou a relação por um tempo, até decidir em uma quarta feira qualquer que eu não valia mais a pena. Me deixou, porque eu não consegui arrumar um emprego a tempo de me assemelhar a ela. Sensação de fracasso, de derrota. Perdi a mulher que mais amei no mundo porque não fui capaz de conseguir me estabilizar. Hoje, não me sinto digna nem capaz de me relacionar com ninguém porque não consigo bancar esta relação de nenhuma forma. Mas infelizmente, outra mulher me apareceu, mais especial, mais leve, mais verdadeira. Mas eu? Não tenho nada a oferecer. Nada, nem mesmo uma família que a acolheria de forma saudável pois vivo em um lar homofóbico. Não tenho emprego, não tenho acolhimento, não tenho perspectiva de vida, não tenho nada. Só uma grande ansiedade e sensação de abandono no peito. Nunca desabafei sobre tudo isso com a minha família, pois como uma mulher gay e uma filha caçula de um lar, sempre tive que enfrentar meus demônios sozinha. E como dói, ser sozinha. Como dói não poder contar seu motivo de angústia e silêncio. Como dói sempre ter vivido uma vida de aparências, onde você sempre interpretou um papel, porque se sua família te visse de verdade, odiaria sua real face. Eu só queria ser bem sucedida, não por mim, não por luxos meus, mas por saber que nada nessa maldita viva é possível sem isso. E quando digo bem sucedida, não falo de luxos nem ostentação digo de não passar sufoco. Não ver mais meus pais em posições vulneráveis, precisando pedir dinheiro emprestado e se afundando mais em dívidas. Só queria muito, muito, ser útil pelo menos alguma vez nessa vida, e não um peso morto, para variar. Por fim, eu ainda tento. Tento ter fé, esperanças em dias melhores. Por mais que toda minha vida eu sempre tive que sobreviver, quero muito em algum momento apenas viver. Essa semana terei meu primeiro concurso. Estou sem expectativas nenhuma. Não estudei adequadamente. Porque sou medrosa. Não confio em mim mesma, não confio na minha capacidade, não acredito que sou capaz ou sequer inteligente para realizar nada. Honestamente para mim será uma perca de tempo ir. Mas algo no meu coração ainda me impulsiona, não me faz desistir por mais que eu queira muito dar um fim em tudo as vezes. Espero que dias melhores aconteçam, um dia..

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  • março 2, 2026
    Jess

    Oi! Gostaria de te dizer que entendo um pouco como você se sente, porque me sinto de uma forma igual. Inclusive, moro com a minha mãe também. É muito difícil passar por esse tipo de coisa, porque não depende só de você conquistar tudo o que deseja, embora queiram fazer parecer que sim. A vida não é sempre justa mesmo, eu concordo super... Você tem tentado, e não desistir significa que você, em algum lugar no pensamento e no coração, tem esperança de que as coisas podem mudar de alguma maneira. Não perca isso, por favor 🙏🏻 É importante que você se conheça a cada dia mais e se permita estar frustrada, mas também aberta a fazer mudanças. A idealização de estado permanente das coisas às vezes nos faz mais mal do que bem, mas refletir sobre isso pode ser uma grande ajuda pra seguir dando o seu possível por si mesma. Tenho orgulho de você tentar 🩵 Se cuide, tá?

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