fanaticaporalienstage

Pior término da minha vida.

Eu ainda me sinto sufocada.
É como se todo o ar que eu respirasse viesse contaminado pelas lembranças que você deixou em mim. Eu te amo. Eu ainda te amo. E isso me irrita, porque ao mesmo tempo em que eu amo, eu também odeio o que você fez comigo. Eu já perdoei tudo, cada palavra dura, cada silêncio que me atravessou, cada vez que você me fez acreditar que eu era o problema. Eu perdoei. Só não consegui esquecer.

Eu penso em você e sinto o nó apertando a garganta, como se meu corpo insistisse em me lembrar do peso que você deixou. E eu queria que você soubesse que não foi leve, que não foi “besteira”, que eu não fui dramática. Eu sofri. Eu chorei até meu peito doer, até minhas mãos tremerem, até o mundo ficar turvo. Mas eu nunca deixei de amar você. Nunca.

Ainda tenho vontade de olhar nos seus olhos e pedir desculpa. Não porque eu fiz algo errado, mas porque, no fundo, eu só queria que você parasse. Que você parasse de me apontar como culpada, que você parasse de me castigar por ter sentimentos, que você parasse de me transformar na vilã da sua história. Eu pediria desculpa pelo que não fiz, se isso significasse ter um segundo de paz.

É sufocante amar alguém que não sabe medir a própria crueldade. Sufocante sentir falta daquilo que me destruía, e ainda assim me fazia sentir viva. Eu lembro de como eu tremia só de ouvir sua notificação — aquele som único, escolhido só pra você — e penso em como eu me tornei pequena, moldada em torno da sua presença. Eu te dei tudo de mim. Atenção, carinho, paciência. E, mesmo quando você me jogou contra a parede com palavras frias, eu ainda encontrei forças pra te amar.

Eu não esqueci. O que você disse, o modo como disse, a forma como me reduziu a erros — isso ainda ecoa em mim. Mas eu não consigo odiar você o suficiente. A raiva vem, me toma, e no minuto seguinte ela se dissolve em saudade. É como uma maré que bate contra mim sem parar: ora revolta, ora ausência.

Eu me pergunto se você sabe. Se você tem consciência da intensidade com que eu amei, com que eu ainda amo. Porque, pra mim, não foi só um namoro. Foi um universo inteiro que eu construí ao seu redor, cheio de cores, cheio de esperanças. Eu me pendurei nesse universo até as minhas mãos sangrarem, até eu não ter mais forças, e ainda assim eu não soltei. Você soltou. Você me deixou cair.

E mesmo assim, aqui estou eu. Amando. Lembrando. Perdoando. Sufocada, sim, mas ainda presa em algo que você já deixou pra trás. Eu não quero admitir, mas a verdade é que, mesmo depois de tudo, eu ainda guardo em mim a vontade de te ver sorrir, de te fazer sentir cuidado, de te mostrar que meu amor nunca foi pequeno. Eu continuo amando você no silêncio, no segredo, no meio da raiva e da dor.

E talvez esse seja o meu erro: amar tanto a ponto de pedir desculpa pelo que eu nunca fiz. Amar tanto a ponto de ainda querer aliviar o peso que você mesmo colocou sobre mim. Amar tanto que até a dor se torna um lembrete de que eu ainda estou viva, porque eu ainda sinto você.

Eu perdoei, mas não esqueci. Eu amo, mas dói. Eu respiro, mas me afogo.

E você continua sendo a razão de tudo isso.

Eu não sou assim por acaso. Eu não amo desse jeito imenso só porque quero sofrer ou porque gosto de drama. Eu sou assim porque minha vida me ensinou a valorizar quando encontro alguém que me faz sentir algo verdadeiro. Eu cresci carregando silêncios, engolindo dores, aprendendo cedo que o mundo pode ser frio demais. Então, quando eu encontro calor em alguém, eu me agarro com todas as forças.

É por isso que eu me apego.
Porque eu sei o que é sentir falta de afeto.
Porque eu sei o que é se sentir sozinha.
E quando alguém finalmente me olha, quando alguém me dá espaço, eu quero dar o dobro em troca. Eu não sei amar pela metade. Eu não sei ser morna. Eu amo até as últimas consequências, porque o amor é a forma que eu encontrei de me sentir viva, de me sentir inteira.

Não é drama.
Não é exagero.
É a minha essência.

Eu sou assim porque eu tenho medo de perder. Medo de que, se eu não demonstrar o tempo todo o quanto amo, a pessoa vá embora. Medo de ser deixada de lado. Esse medo não nasceu do nada — ele foi plantado lá atrás, nas partes mais difíceis da minha infância, quando eu aprendi que nada é garantido, que pessoas podem ir embora mesmo quando você precisa delas.

E por isso, quando eu amo, eu me entrego demais. Eu sei que pareço intensa demais, mas essa intensidade vem de um coração que aprendeu cedo a se virar sozinha, e que, quando encontra abrigo, se agarra nele como se fosse a última chance de respirar.

Eu não sou errada por amar desse jeito.
Eu não sou fraca por me apegar.
Eu sou apenas alguém que carrega cicatrizes invisíveis, e que transforma essas cicatrizes em amor.

Por isso eu sou assim. Por isso eu me entreguei a ele com tanta força. Por isso eu ainda sinto tudo com essa intensidade que sufoca. Não foi besteira, não foi “coisa da minha cabeça”. Foi real. Foi profundo. Foi o reflexo de tudo que eu sou e de tudo que eu vivi.

Eu sou assim porque eu aprendi a amar como quem luta pela própria sobrevivência.
E ninguém pode me convencer de que isso é errado.

Enfim, é isso, acontece.

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